Cinco sintomas da regressão profissional: o fim da estagnação

 Estou estagnado na minha vida profissional” disse um dos meus coachees a mim em uma das sessões. Esta frase me causou momentos de muita reflexão e incômodo e hoje entendo porque. Pois creio que a estagnação na vida profissional dentro das organizações seja um mito, e um mito nocivo aos profissionais crentes neste fenômeno. No atual contexto é impossível alguém classificar-se como “estagnado”, este movimento simplesmente não existe. Ou você progride ou regride.

Enquanto a progressão está ligada a uma atitude protagonista, de avanço e conquista de novos espaços organizacionais, a regressão está ligada a uma atitude passiva, isto é, não significa que você faz menos ou que se ocupa de coisas menores. Aliás, a maioria das pessoas que utiliza o verbo estagnar acredita que, por estarem fazendo a mesma atividade que faziam a três anos atrás estão paradas, contudo, esquecem-se de olhar ao redor. Assim, enquanto você faz mais do mesmo, há muitas outras pessoas fazendo mais do novo. Ou seja, dedutivamente, há pessoas progredindo enquanto você não. Isto significa que seu espaço será organicamente ocupado por, pelo menos, uma dessas pessoas.

Assim, o mito da estagnação só era possível há 20 ou 30 anos atrás onde os ciclos de mudanças eram longos e os ambientes mais estáveis. No atual contexto é possível assumir que a ausência de progressão é a regressão profissional certamente. Assim, quais seriam os sintomas da regressão profissional em sua carreira?

Por minha experiência prática com executivos em diversas organizações é possível pensar em alguns indícios, como um termômetro, sobre seu atual momento e se você está em regressão profissional:

 

  •  1.      Quando perguntam a você como anda seu trabalho sua resposta normalmente é que tudo anda igual e que nada muda: “você sabe como é não é mesmo?”
  •  2.     No início da semana você tem se perguntado frequentemente porque tem trabalhado tanto e se isso realmente vale a pena.
  •  3.     Quando um novo projeto ou ideia de mudança é apresentada em sua empresa, sua primeira reação é um misto de desconforto e angústia.
  •  4.     Sua ideia de trabalho é manter as coisas funcionando. Quanto menos trabalho tiver, melhor a situação está.
  •  5.     Você tem muitas ideias sobre como fazer diferente, contudo, falta energia para colocá-las em prática.

 

É importante notar que a manutenção do status quo, e o direcionamento da energia produtiva para atividades meramente rotineiras, de pouco valor agregado, simboliza o não envolvimento em atividades novas, atividades que levarão a organização para o futuro que ela deseja, isto é, em tempos de sustentabilidade é possível afirmar que indivíduos em regressão profissional não garantem a sustentação das próprias atividades, pois esquecem-se de que o aumento da complexidade de seu próprio cargo é orgânico e que, portanto, será necessário reinventar-se algumas vezes simplesmente para manter-se na própria cadeira.

Na outra ponta, profissionais em progressão estão constantemente buscando novos espaços organizacionais e, fluidamente, garantindo para si o aumento de domínio de competências essenciais que garantirão seu futuro profissional. A regressão profissional, portanto, pode ser vista como a ausência de desejo de progressão. Assim como na vida, sua carreira dependerá do que pretende fazer consigo mesmo, lidando com todas as adversidades e contingências que certamente aparecerão. E então? O que pretende fazer com você mesmo?