Fazer somente o que eu gosto? O fenômeno do Filter Bubble e sua carreira profissional

Há algum tempo atrás me deparei com a teoria do autointitulado “ativista da internet” Eli Pariser batizada de Filter Bubble[1]. Esta teoria baseia-se na ideia de que quando fazemos uma pesquisa na internet por um site de busca, como Google, por exemplo, na realidade não acessamos todo o conteúdo, mas sim um fragmento de todo o conteúdo que é determinado pelo algoritmo que filtra os resultados utilizando critérios como nossa localização geográfica, compras feitas pela internet, perfis em redes sociais,

 

 cliques em determinados sites, etc. Assim, é como se toda vez que buscássemos algo pela internet, estivéssemos dentro de uma bolha criada por nossas próprias preferências. Privando-nos assim de uma busca completa.

Isto me fez pensar que sua carreira também pode ser acometida pelo Filter Bubble. Como? Simples, fazendo somente o que você gosta. É claro que fazer o que se gosta nos traz prazer e bons sentimentos, contudo, fazer somente o que se gosta também é potencialmente perigoso. Alguns desafios inerentes a projetos e novas metas, por exemplo, não necessariamente nos deixam na confortável situação de eleger apenas tarefas prazerosas e significativas. Todos os que trabalham em organizações sabem que há um pedágio a ser pago em praticamente todas as tarefas em que somos envolvidos. Este cenário a priori transparece como ruim, contudo, é necessário olhá-lo por diversos ângulos.

Quando somos alocados naquele projeto que, a princípio, parece desprestigiado ou com pouca visibilidade naturalmente sentimo-nos pouco valorizados e frequentemente ressentidos por acreditar que o gestor não entende como poderíamos oferecer muito mais se fossemos designados para liderar a frente daquele projeto que está muito mais alinhado com o que gostamos de fazer. Entretanto, muitos se esquecem de que ser posto em situações onde nossa afinidade não salta aos olhos em um primeiro momento pode nos favorecer em alguns aspectos: Isto me fez pensar que sua carreira também pode ser acometida pelo Filter Bubble. Como? Simples, fazendo somente o que você gosta. É claro que fazer o que se gosta nos traz prazer e bons sentimentos, contudo, fazer somenteque se gosta também é potencialmente perigoso. Alguns desafios inerentes a projetos e novas metas, por exemplo, não necessariamente nos deixam na confortável situação de eleger apenas tarefas prazerosas e significativas. Todos os que trabalham em organizações sabem que há um pedágio a ser pago em praticamente todas as tarefas em que somos envolvidos. Este cenário a priori transparece como ruim, contudo, é necessário olhá-lo por diversos ângulos.

  1. Repertório: Você obrigatoriamente se vê em situações onde precisará desenvolver ainda mais seu vocabulário, estabelecer novas conexões neurais e associações entre conteúdos distintos. E quanto maior seu repertório, maior a sua capacidade associativa – isto é, um bom combustível para sua criatividade.
  2. Diversidade: Lidar com pessoas diferentes, em tarefas distintas lhe garante um bom espaço para treinar a gestão de perfis. Esta habilidade é uma das top 10 na atualidade para aqueles que buscam aceleração de carreira voltada para gestão de pessoas. Além disso, é onde pode-se praticar suas habilidades de negociação, inclusive dos contratos psicológicos (Carreira de gestão: o gestor como negociador dos contratos psicológicos).
  3. Trânsito e ampliação de sua rede: Ao fazer atividades fora de sua zona de conforto, necessariamente lidará com pessoas que organicamente não fariam parte de sua rede, isto é, ativamente você não buscaria pessoas com este perfil para sua rede profissional. Isto lhe rende fortalecimento e possivelmente uma boa fonte de benchmarking para atividades futuras.
  4. Aprendizagem: Aprender a aprender talvez seja uma das atividades mais imprescindíveis nas organizações na atualidade. Em uma realidade onde tudo muda e continuará mudando, estressar sua capacidade de aprendizagem trará bons frutos para sua carreira futura.
  5. Tolerância à frustração: O que seu executivo superior esperaria de seu próximo talento? Que ele quisesse fazer somente o que gosta? Dificilmente. Logo, há uma excelente oportunidade para demonstrar que você se tornou um profissional que entende os limites da organização e consegue operar eficientemente dentro deles, isto é, ser tolerante à frustrações (como ser alocado em uma atividade que esteja fora de sua zona de satisfação, por exemplo) é uma habilidade que projeta a imagem de maturidade e resiliência – traços importantes para um bom executivo.

 Assim, quando se deparar com situações onde não fará apenas o que gosta, poderá se perguntar a partir de agora: “o que há nestas atividades que eu possa gostar?” e “como sairei fortalecido deste desafio?”. Esta atitude fará a diferença para sua carreira e evitará que sofra da síndrome da estagnação (Cinco sintomas da regressão profissional: o fim da estagnação) quando se deparar com este dilema que certamente aparecerá. Em breve mais artigos relacionados à gestão, liderança e sua carreira.



[1] Algo parecido com “o filtro de bolha” na falta de uma tradução mais apurada.